quinta-feira, 13 de maio de 2021

Pedro Álvares Cabral — alt story (Part One)

 

Age of Discovery. The day is March, 9th of 1500.

DISCLAIMER: THIS IS PURELY FICTIONAL.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6a/Pedro_Alvares_Cabral.jpg/220px-Pedro_Alvares_Cabral.jpg

The Royal Family of Portugal Empire led by King Manuel I has sent a fleet of 13 ships in a mission to expand the kingdom’s plans to return with valuable spices and establish trade relations with India ~who were the big players on those days. Napoleon was rushing all over Europe and the British and the French were already establishing themselves in Newfoundland and The New World. Pedro was the Major Capitain of the whole fleet, and blessed they were from the Church.

It was known from big thinkers of that a New World would be soon to be discovered by men, despite of the Inquisition’s desire to destroy every one of them since the Earth was flat and anyone who would dare to sail away from the promise land would suffer the consequences from God, amen. What happens is that Pedro was a very curious and brave man, so he decided to figure that out for himself ~and the Indian mission was a great alibi for it.

Cabral’s friend Vasco da Gama had discovered a route around Africa’s coast to the Indian land. His reward was the cinnamon and the pepper. It was sort of safe, although it was a really long journey. The man was hungry and he couldn’t wait three months to reach that exquisite land. This is when a wind of change set them out of their route. He probably thought ‘if the Earth is really a globe, we should reach the Indians by crossing the Atlantic’. So he did missed his cartographic calculus and the fleet was heading West instead of South after departing Cape Verde on the 22nd of March, after thirteen days of sailing.

The next day a nau commanded by a friend of his simply disappeared from sight. Maybe it was a great and alarming sign that they were not supposed to be heading that direction. Even overseas, no one can escape from God’s sight. Later on that night, Pedro has had a really hard time thinking and trying to be understood by God about his noble plans.

~ What would you do with all the treasures across the Sea, Pedro?

~ I am honestly just acting out of fear, Almighty.

~ What do you fear the most, my son?

~ The men. Their greed scares me off them, Lord.

~ So you prefer to risk the life I gave you at the Sea than at the land?

~ Yes, Lord.

~ Why then, Pedro?

~ I know exactly what the men are capable of. I just can’t tell the same about the Sea.

~ I like the way you think, boy.

It was half 3 a.m., so Pedro was awakened by a rant of fear from his tripulation. What a thunderstorm.

The first thing that came at his mind before writing all of that down was: “I’ll give you three weeks to think about it.

… to be continued.

A utilidade das moscas

 

A inspiração me acordou às 4h37. Acontece.

https://goo.gl/images/H2q4G3

Enquanto escrevo aqui na cozinha nesse momento tem um cara assobiando na rua tentando chamar alguém que obviamente não quer ser chamado por ele, principalmente a esse horário. Se ele pudesse ler esse texto, aprenderia algo novo. Mas eu que não vou lá com ele mostrar isso.

Eu adoro observar a natureza. Acho fascinante olhar para algo tão grandioso que te cala a boca, e qualquer tipo de pensamento diante dela ela seria algo como “eu sou um bosta mesmo”. Ao olhar uma grande porção de mata é impossível ao raciocínio separar aonde termina um mato e começa outro, ou contar a quantidade de árvores que existe num bosque, ou talvez contar o volume de água existente numa bacia hidrográfica como é a Amazônica. Tudo o que podemos fazer como meros mortais é olhar e estimar. Nada mais.

O que me levou a escrever esse texto inicialmente foi num dos primeiros textos que escrevi por aqui onde mencionei algo sobre moscas ~que esqueci por não ser muito relevante~mas que preciso isentar as pobres coitadas da conotação negativa a qual muita gente ainda associa. Acontece que as moscas são insetos muito fodas na natureza.

~Atrás de mim tem uma pilha horrenda de louças pra lavar, então, não é falta do que fazer escrever sobre isso~

Certo dia atraímos uma delas aqui dentro de casa. Disse à minha amiga nesse instante: “sabe quem esse cara é aqui dentro? Uma mosca.”

Minha amiga franzia a testa tentando entender alguma coisa. Se ela tiver disposição pra ler esse texto irá entender. Mas as moscas tem um papel fundamental na natureza, afinal, não existe carniça que a mosca não corra atrás, e certamente que se houverem moscas demais à sua volta, existe algo apodrecendo. É hora de checar tudo atenciosamente.

William Blake em seu poema “The Fly”, de 1794 descreveu brilhantemente a brevidade da vida das moscas em relação à brevidade de nossas próprias vidas:

If thought is life
And strength & breath;
And the want
Of thought is death;

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.

Moscas tem a nobre tarefa mesmo que inconsciente, de nos indicar que precisamos fazer uma faxina em alguma coisa, do contrário ela colocará seus 100–500 ovos naquele local onde você menos espera. E de lá se você for mesmo relaxado, sairão uma horda de mais moscas que pousarão na sua sopa. Antes de compreender isso eu agia como o Walter White, afinal, se uma mosca aparecer no meu caminho ela tem que sair. Hoje eu vejo que as moscas nem deveriam estar aparecendo no seu caminho, para início de conversa. Mas se aparecerem, eu ajudo-a a saírem e viver em paz o restante dos poucos dias que lhes sobram de vida. E se matar uma mosca, o livre arbítrio existe aí pra isso: ela com certeza será alimento de alguma outra coisa. Mas se você não soube identificar a causa das moscas estarem pousando na sua sopa, meu amigo, virá outra em seu lugar e pousará de novo.

Por outro lado, moscas não comem apenas carniça. Se você der liberdade o suficiente, elas comerão do seu próprio prato, quentinho. E tem gente que é assim. O grande problema é que não se sabe em qual lixeira a mosca andava pousando antes de comer do seu prato, e de lá ela pode trazer uma série de bactérias que podem sim te prejudicar, mesmo que ela mesmo não queira. Então eu não mato mais as moscas, mas aprendi a espantar, mas não pra muito longe, pois também quero saber aonde está a carniça na minha casa para que eu limpe e jogue fora. E aprendi a admirá-las também, pela coragem de habitar os lugares mais inóspitos da terra dos homens e conviver com o constante medo de ser morta por um mongoloide ou baygonzada por um intelectual. E aí leitor, o que você vai fazer para se defender? Já adianto que os sapos dela se alimentam sim, mas podem possuir um veneno debaixo da pele que vou te contar…

Trazendo agora pro chão. Cansei de me tentar me fazer útil para pessoas que não precisam. Minha utilidade agora é pública, e pra quem quiser algo particular comigo, eu comecei a cobrar a partir de hoje. Como diria Chorão, meu consultório é na praia, eu tô sempre na área, mas não sou da tua laia não. Afinal, já se foi aquele tempo da ladeira irmão.

Deixe viver, deixe ficar. Deixe estar como está.

Muita gente que conheço deveria ler esse texto, pena que elas estão ocupadas demais para isso.

On farewells

 

On farewells


https://goo.gl/images/ks6wke

If there ever has been a constant in nature, it is the change. I am a big admirer of how things grow and decay, then transform and regrow, and that really makes me sort of agree with one of most famous’ Buddha teachings: that living is suffering. But the nature of suffering is attachment.

We as humans tend to stick to every moment of joy and happiness as if there would never be another chance to be happy again. In basic physics ~which I sort of hate by the way ~we may empirically figure out that for every light directed onto an object might project a shadow on the surface it currently is. We won’t go further to discuss the dark side of things because the purpose here is to focus on the present moment, where the only constant is the change.

Seneca in his book Epistulae morales ad Lucilium discussed a lot about that between 63 and 65 d.C. on how to live a good life. Quote in my translation from a translation in Portuguese (so gimme a break if you’re messing):

“Can you indicate me somebody who values its time, values its day, and understand that one dies daily? There is where we fail ~we think that death is awaiting us in the future, but part of it is already past. Any time that has passed belongs to death.”

Epistulae I ~ “from the economy of time”

So the truth at least to me is, you should be ready to say not only our byes, but our farewells to people we may not encounter again in our lifetimes. That might be extremely hard seeing people we met before only through screens if we’re distant, or could be worse. Things can always get worse, oh yeah.

I once met a lovely girl in Dublin, Ireland in my earlier days in the country where I lived for about 20 months. I swore to god she was the ~love of my life ~ and that I would never let her go. But she was only in town for a Christmas holiday. I even tried to make that work and the girl seemed to correspond, but fate sometimes can be a real austere teacher. I visited her in Barcelona where she was living for the next two months, but then she had to go again. That stabbed a naive boy in the chest real hard. The moment in the train trying to get ready to be able to say we would meet again without being cheesy. Oh god. When the plane landed back in Ireland, it was freezing cold. It froze even a warm hearted boy for so long.

Thankfully though, the Amazon is hot as hell. Let’s correct this ~hot as heaven.

A more than necessary DISCLAIMER!

 

A more than necessary DISCLAIMER!

Since this is the language most people in the world are familiar with, this disclaimer is not going to be written in Portuguese.

It is well known from an attentive reader that every piece of scrap, whether is in text form, or art, or image, sound, whatever comes to mind… Every piece of crap is made of three parts which are very important.

The author is that guy who for some reason decides that the thing he made is somehow able to be understandable by another person, which we quote, the observer.

The observer is the person, or thing, or anything that has enough sensory skills to understand ~or to try to ~that piece of crap the author has just made.

The crap is that single thing created by the author when he thought something from the toilet before he flushed that out to the world.

So…

There are no relationship between the authorthe observer and the crap. It’s just the way it is.

As this website suggests, the author is just a single medium in which the crap made its way out to the world.

If there’s any complaint to be made, it should be directed straight to the Creator of the Whole Thing, whose food was provided by Him to feed a hungry man down there.

Thank you and have a good time reading our shit.

Da Vinte e Miquelângelo

 

Da Vinte e Miquelângelo

Published on Feb 12, 2019 (Medium)
UFC is now live

O ano era 2100. Um chegou antes do espetáculo e o outro, como sempre, atrasado. Dois olhares vazios e profundos como um abismo, perdidos no meio da multidão. Camarote 17. Um se acompanhava de sua prima, e outro, de dois amigos. Antes do espetáculo um tirava fotos e mostrava aos amigos, e o outro observava a pintura na cúpula. Que encontro maravilhoso. Um usava óculos redondos e precisava de ajuda para enxergar, e o outro possuía uma visão de águia.

Um casal vindo da Alemanha apareceu no Camarote 18. Logo os amigos começaram a falar Inglês, e o outro rapaz falava da mijada que tinha acabado de dar no bar perto do Teatro para sua prima. O concerto tardou, mas finalmente começava.

As Quatro Estações, de Vivaldi. Magnífico. A perna de um dos três amigos não parava quieta. Os outros dois falavam sobre conquistar o mundo, enquanto um cara tirava foto da sua prima. Os alemães comentavam o quão lindo era o lugar. Era um concerto, não se podia fazer retratos nem anotações, a não ser as mentais.

Um cruzava as pernas e se vestia como um artista. O outro parecia um havaiano brega com mocassim. Um deles era intelectual, e o outro, inteligente. Um deles era o próprio desconhecido, ouvindo o outro ouvir sobre o artista não poder temer o desconhecido. E ambos concordavam.

Os comentários sobre dominar o mundo foram suprimidos pela vontade da música erudita de se fazer ouvida, e não apenas como pano de fundo para planos ambiciosos. As próximas peças eram de compositores locais os quais conhecê-los seriam mera questão de cultura. Quanto mais desconhecido o compositor, mais um deles aplaudia e gritava “BRAVO!!”, enquanto o outro não sabia a qual dos espetáculos assistir — o da orquestra ou o do artista assistindo a orquestra. Sorte a dele que preferiu fechar os olhos e realmente ouvir a música.

“O cego tem o dom de enxergar a música. Que Divino.” Logo um deles teve dificuldades em abrir os olhos, e começou a enxergar um caleidoscópio de nuances musicais. O outro pressionava os óculos contra o rosto para enxergar melhor a performance dos músicos.

Durante o concerto um deles começou a ver a beleza da vida entre duas almas entrelaçadas pelo Destino, que levaram os homens a descobrir novos horizontes além do Atlântico.

Enquanto um deles filosofava sobre como atingir o estrelato ainda em vida, o outro, imóvel e silencioso, pensava em como se manter anônimo pelo resto de sua brilhante existência. Então um fazia notas no celular, enquanto o outro rabiscava várias coisas que ninguém mais entenderia em seu caderno o qual carregava aos quatro cantos do mundo. Um dos artistas buscava respostas no passado, e outro procurava as melhores perguntas para o futuro.

Eram dois jovens de alma velha, prontos a embarcar no mar da vida. Que concerto encantador.

No final da quarta peça o excêntrico artista aguardou todos calarem-se para gritar “VIVE LA FRANCE!!”, e o outro deu um leve sorriso de deboche. O artista virou pra trás e perguntou:

— Você quer que eu afaste para você enxergar melhor?

O careta respondeu:

— Obrigado, mas já estou conseguindo ouvir.

O artista trocou o apoio das pernas e deitou-se no parapeito do camarote para ouvir melhor.

Durante o espetáculo as luzes começavam a piscar, algo de muito grandioso estava acontecendo naquela noite. Pois quando duas estrelas se aproximam tanto assim nem a própria iluminação consegue se conter.

Um começava a entender porque o outro havia sido tão reservado naquela existência.

Ao fim da penúltima peça do concerto, o artista fazia escândalos para se fazer ouvido pelo Teatro, enquanto o careta se escondia atrás da sombra do pilastre, aplaudindo lentalmente.

Enfim chegava a última música. Nesse momento um deles já havia descoberto os segredos mais absurdos da vida e do universo, e o outro finalmente começava a refletir sobre o valor intrínseco da arte para o Mundo, mas nesse momento ainda estava diante de um espelho. Um dos amigos se perdia nas mensagens que tinha de responder no celular, o outro ria da soneca que o careta dava com aquela música sonolenta, a prima tentava entender alguma coisa, o artista cerrava os olhos para ver melhor, e o careta havia se tornado a música ecoando naquele Teatro, ajudando as cordas a vibrarem melhor para o espetáculo se tornar Completo e Uníssono.

Ao final do concerto nenhum dos três amigos aplaudiu, e o careta e sua prima levantaram-se para o aplauso final de um minuto. As luzes se acenderam, então ambos sentaram-se novamente e continuaram a aplaudir sentados. Foi um encontro e tanto, algo completamente Divino. Os dois não trocaram mais do que três frases, e dessa forma foi perfeito, afinal, um encontro dessa grandiosidade poderia gerar um novo Big Bang.

Então na saída um dos amigos comentava sobre a voz de um dos amigos artistas dele, enquanto outro amigo mexia no celular, e o artista sorria ouvindo, e comentou que ele é apenas um espelho, refletindo a luz Solar Divina. O careta gostou do que ouviu, e foi ao banheiro dar outra mijada para consertar a torneira que jorrava água incessantemente. Ele acabou descobrindo como as torneiras que desligam sozinhas desligam sozinhas.

Um deles busca a Grande Resposta no Microcosmos, e o outro lança as perguntas no Macrocosmos.

Daí o amigo do artista que queria conquistar o mundo disse à prima:

— Lindo, né? Parece até CD.

O artista completou:

— CD, não. Melhor que CD, pois é ao vivo.

O careta mexia no celular e sorriu. Ele só ouve música no Spotify.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

voo de galinha

Cara, revisitei essa espelunca com o intuito de escrever sobre alguma outra coisa, praticar mais minha escrita e logo percebi que preciso dar um update aqui. O último post foi no começo do ano e PUTA QUE PARIU mano, que ano mais psicopata foi esse....

Porra, acredito que uma conquista interessante que tive em 2020 foi conseguir perder o resto da minha grana do seguro de vida. Sim, não é tão simples e nem romântico pensar dessa forma, mas a real é que tomei a decisão de mergulhar no mercado financeiro e tentar fazer a minha vida daquilo. Sendo bem sincero, acho que nem houve sequer uma ascensão. Meus highs como trader pareceram mais um voo de galinha mesmo. Vinha numa crescente interessante na época que escrevi o último post em fevereiro, mas não demorou muito pra que as sequências desastrosas começassem a rolar e fui perdendo tudo aquilo que tinha ganhado e o que tinha a perder. No final das contas, trabalhei minhas habilidades de carinha do Excel e encarei a lógica de programação como algo que seria possível aprender. Na verdade foram uns códigos bem bosta mesmo, mas o simples fato de conseguir executar uma macro pra limpar células já me fazia pensar ser um cara foda (Dunning-Kruger fudido). Hoje no final do ano continuei usando o Tools, que é uma ferramenta pra calcular a rentabilidade de operações em mercados futuros, pelo menos parece ser algo mais elaborado que simplesmente comprar quando cruzar uma linha azul ou vermelha e torcer pra não dar merda.

Mas quando a pandemia começou a se mostrar séria eu senti na pele, carne e alma pela primeira vez o pânico dos mercados. Minha sensação era de ansiedade extrema quando tinha posição em aberto e a corretora não executava as ordens pra sair da posição perdedora, e cheguei a carregar um ajuste de 1400 mangos pro dia seguinte, sabendo que a mandioca podia ser mais grossa do que isso e pior, podia ser zerado na corretora e ficar devendo dinheiro pra eles. PQP seria uma fudição enorme. E por outro lado me aliviava ver que tinha muita gente na merda nessas primeiras semanas de março. Eu fui limpado do mercado, até tentei operar por uma mesa proprietária e passei no teste, mas depois de um mês atingi o limite de perda e fui cuspido de lá. Foi a morte de um plano, um fracasso gigante e eu precisei aceitar que optei e tinha ciência do risco que eu corria. E carrego comigo o fato de ter quebrado de verdade pela primeira vez.

Numa próxima oportunidade eu continuo fazendo o recap desse ano doido que tá acabando. flw

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Confissões de um trader autosabotador

Continuando as admissões brutalmente honestas, decidi concluir minhas confissões em outro post, pra não deixar os posts muito longos. Mas antes um pequeno lembrete emocional:

~ Vi mais cedo alguns vídeos que havia publicado no Youtube, na época pré-Dublin e o clipezinho que fiz do The Scientist no Phoenix Park. O que senti foi uma nostalgia remota, um saudosismo leve, mas que me não me derrubou em lágrimas como numa outra vez. Acredito que o motivo é que, além do tempo passado (quatro anos), hoje aceito mais as reviravoltas que a corrente da vida me levou. Um dia preciso escrever sobre o episódio do surto, não posso deixar isso cair no esquecimento. Foi minha maior tragédia pessoal, e tive a sorte de conseguir voltar a ser uma pessoa aparentemente normal na sociedade.

Puta que pariu, que "pequeno lembrete".

Mas ok. Retratando a minha situação atual, estou praticamente na faixa de pedestres com a avenida vazia e hesitando atravessar. Escrevo pra refletir essa autosabotagem, se tem relação com algum medo de realmente ser bem sucedido, ou com  a dura realidade que o sucesso se dá com pesado e constante esforço, ou talvez a mistura dos dois, trazendo à tona o fato de que nesse momento o meu sucesso simplesmente de mim e como eu organizo minha vida... e ao mesmo tempo vejo que toco minha vida como um pandeirista bêbado

Em termos concretos, o que tenho feito é negociações em mercados financeiros há pouco mais de um ano. Quando comecei a me interessar pelo assunto, tinha emprego de carteira assinada e justificava os maus resultados nas minhas ocupações celetistas. Daí decidi morar na casa de baixo, lutei contra espíritos malignos, tentei trazer prosperidade à região amazônica, me senti um arcanjo, perseguido por coisas secretas... enfim, os níveis descontrolados de dopamina me levaram ao psiquiatra outra vez. Fiquei boa parte de 2019 perdendo dinheiro nos mercados justificando que seria o preço do aprendizado. Acontece que, consegui novo emprego, continuei 'tradando', e vi que não conseguiria fazer ambos ao mesmo tempo.

No final do ano escolhi sair do emprego novamente ~ sim, a palavra é escolher ~ e tentar pela última vez ter sucesso na bolsa de valores, especificamente em mercados de futuros, minicontratos de índice Bovespa. Racionalmente, uma escolha ridícula. Não haveria espaço para um termo como 'arrojado', por simplesmente ter sido uma escolha de risco muito alto. Sem precisar mencionar a quantidade de dinheiro posta à mesa.

Especular em bolsa de valores não é necessariamente uma aposta, dentro desse nicho de alto risco existem escolhas menos arriscadas. Mas o risco é definido de forma bastante emocional, decidido em pequenos instantes. E o que essa experiência arriscada mais vem me trazendo é a responsabilidade em assumir as escolhas feitas. Mesmo que elas não venham dando tão certo. E nesse momento meu dilema é importante pra mim. Para que esse estilo de vida tenha êxito, é preciso que eu crie uma estrutura no meu cotidiano, de forma a não deteriorar minha saúde física e mental, e consiga ter estabilidade emocional para ter sucesso ao longo do tempo como trader.

Quando trabalhava na Stone e estava inseguro em relação às minhas escolhas naquele momento, consultei um astrólogo. E ele me indicou que um possível caminho para mim seria esse mesmo, de negociar papeis em bolsa de valores, daí me permiti escolher esse caminho outra vez. Em outras palavras, me permiti ser influenciado por uma pessoa que mal me conhecia, e hoje admito que foi um caminho que eu mesmo escolhi, como cantou Raul. E agora me encontro no mesmo tipo de bifurcação. Tomar outro caminho, ou escolher permanecer esse caminho? Daí é fácil vir à tona a realidade de que sou uma pessoa descomprometida com minhas próprias escolhas.

Preciso ir além de admitir, e não cometer os mesmos erros de sempre desta vez.